18.2.11

Caso eu fosse...


‎... Caso eu fosse medico, teria um bisturi de ouro. Caso fosse juiz de futebol, teria um apito de prata. Fosse eu um musico, teria um piano de marfim. Um navegador, teria um barco de rolhas de champagne. Caso fosse  eu um milhonario, teria uma sandalia e um chapeu de palha... muito pobre, um cartão de crédito “Diamante”. Caso fosse eterno, não teria relógio.
Sou mortal e tenho uma paixão eterna. Como artista guardo meus pinceis  num vaso de Lalique. Provando meu amor pela vida e respeito pelo meu oficio de pintor.
                                                                                                   Juarez Machado

Banho de Champagne

"Banho de Champagne" [óleo sobre tela], da coleção "O Libertino". Artista: Juarez Machado

12.1.11

A fruta aberta


Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore
plantada bem alta no meio da minha vida.


Agora sei as coisas como são.
Sei porque a água escorre meiga
e porque acalanto é o seu ruído
na noite estrelada
que se deita no chão da nova casa.
Agora sei as coisas poderosas
que valem dentro de um homem.


Aprendi contigo, amada.
Aprendi com a tua beleza,
com a macia beleza de tuas mãos,
teus longos dedos de pétalas de prata,
a ternura oceânica do teu olhar,
verde de todas as cores
e sem nenhum horizonte;
com  tua pele fresca e enluarada,
a tua infância permanente,
tua sabedoria fabulária
brilhando distraída no teu rosto.


Grandes coisas simples aprendi contigo,
com o teu parentesco com os mitos mais terrestres,
com as espigas douradas no vento,
com as chuvas de verão
e com as linhas da minha mão.
Contigo aprendi
que o amor reparte
mas sobretudo acrescenta,
e a cada instante mais aprendo
com o teu jeito de andar pela cidade
como se caminhasses de mãos dadas com o ar,
com o teu gosto de erva molhada,
com a luz dos teus dentes,
tuas delicadezas secretas,
a alegria do teu amor maravilhado,
e com a tua voz radiosa
que sai da tua boca
inesperada como um arco-íris
partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
e mostrando a verdade
como uma fruta aberta.
                                                 Thiago de Mello

                                     (Sobrevoando a Cordilheira dos Andes, 1962)

Ninguém me habita


Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.


                                                                      Thiago de Mello

9.1.11

An Indian

An Indian fall from a star bright colored
Of a star that will come at a dizzying speed
And arrive in the heart of the southern hemisphere, in America in a bright instant
After the last exterminated indigenous nation
And the spirit of the birds, of the sourcers of cleanly water
More advanced than the most advanced of the most advanced technologies
Will come, dauntless as Muhammad Ali
Will come that I saw, passionately as Peri
Will come that I saw, tranquil and infalible as Bruce Lee
Will came that I saw, the axé of Afoxé Filhos de Ghandi
Will come
An Indian preserved in plenty body physical In all solid, all gas and all liquid
In atoms, words, soul, color, in gesture, in smell, in shadow, in light, in sound magnificent
At a point equidistant between the Atlantic and the Pacific
Of the yes object, resplendent, will descend The Indian
And the things that I know that he will say, I do not know say so in an explicit way
Will come dauntless as Muhammad Ali
Will come that I saw, passionately as Peri
Will come that I saw, calm and infalible as Bruce Lee
Will come that I saw, the axé of Afoxé Filhos de Gandhi
Will come
And what that in this moment will reveal to peoples
Surprised everyone by not being exotic
But for the fact of can always have been occult when the obvious has been

                                                                                                Caetano Veloso