9.5.12

Quero! Ah... Como quero!






Quero! Ah... como quero! 
Quero como marinheiro navegar
por inteiro nos teus olhos e no teu mar
Quero como arqueólogo aprofundar-me
nas ruínas do teu coração

Quero! Ah... como quero!
Ver ondas e vagalhões
Ver meu suor de escavar sem parar

Quero! Ah... como quero!
Ver templos, igrejas, habitações
Ver todos os geométricos padrões

Quero! Ah... como quero!
Ver vasos e esculturas
Ver obras sacras e pinturas
Ver todos os teus fragmentos
Ver todas as cores de pedras e suas alturas

Quero! Ah... como quero!
Estou com sede...
deste sitio!                                                        
deste mistério!
de saber do que dentro de ti existe
de hoje até tua época mais remota

Quero! Ah... como quero!
Trabalhar sem descansar
removendo toda  a terra sobre ti
ver entrar a luz do sol e você desabrochar

Quero! Ah... como quero!
Remover montanhas de poeira com pincel
Quero encontrar o teu anel
E finalmente... Absolutamente!
Escrever a pena num pedaço de  papel
Encontrei minha princesa real


                                                          Romeo Sadlac

2.5.12

Ainda bem...

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim

O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão quem diria
Que ao meu lado você iria ficar

Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

O meu coração já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
Tudo se transformou

Agora você chegou
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

Ainda bem

Nanananana Nanananaanana...

O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão
Quem diria que ao meu lado
Você iria ficar

Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

O meu coração já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
Tudo se transformou

Agora você chegou
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar assim

Nanananana Nanananaanana...

Ainda Bem...
                                                
                                                Marisa Monte

Eu sou lúcida na minha loucura...


Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade. Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais.
Choro lágrimas de rir e quando choro pra valer não derramo uma lágrima. Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz.
Busco pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais.
Mas não me leve a sério, sei que nada é definitivo.
Nem eu sou o que penso que eu sou.
Nem nós o que a gente pensa que tem.
Prefiro as noites porque me nutrem na insônia, embora os dias me iluminem quando nasce o sol. Trabalho sem salário e não entendo de economizar.
Nem de energia. Esbanjo-me até quando não devo e, vezes sem conta, devo mais do que ganho.
Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas, rezo pra algum anjo de plantão e mascaro minha fé no deus do otimismo.
Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido. Não bebo porque só me aceito sóbria, fumo pra enganar a ansiedade e não aposto em jogo de cartas marcadas.
Penso mais do que falo. E falo muito, nem sempre o que você quer saber. Eu sei. Gosto de cara lavada — exceto por um traço preto no olhar — pés descalços, nutro uma estranha paixão por camisetas velhas e sinto falta de uma tatuagem no lado esquerdo das costas.
Mas há uma mulher em algum lugar em mim que usa caros perfumes, sedas importadas e brilho no olhar, quando se traveste em sedução.
Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva.
Impaciente onde você vê ousadia.
Falta de coragem onde você pensa que é sensatez.
Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos.
E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu reajo.

Martha Medeiros

Pode ser que um dia...


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

                                                                  Albert Einstein


1.5.12

Raoni - O maravilhoso...


LOTUS 99T


    Corridas: 16 - 2 vitórias (Ayrton Senna) e 1 pole position (Ayrton Senna)

O valioso tempo dos maduros...


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas...
As primeiras, ele chupou displicentemente, mas percebendo que faltam poucas, roi o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha vida.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretario geral do coral.
" As pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos."
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir dos seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim basta o essencial!


( Mario de Andrade, 1893-1945 )